AFA nega relatos de que o FBI apreendeu o telefone de Chiqui Tapia
A federação rejeita alegações de que seu presidente esteja sob investigação das autoridades dos EUA.


As autoridades dos Estados Unidos solicitaram informações sobre uma empresa sediada nos EUA ligada à Associação do Futebol Argentino (AFA), um pedido que inclui o presidente da federação, Claudio "Chiqui" Tapia, e o tesoureiro Pablo Toviggino, de acordo com reportagens da mídia local nesta quarta-feira.
O Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul da Flórida solicitou informações como parte de uma investigação preliminar sobre a TourProdEnter LLC, uma empresa supostamente usada pela AFA como sua representante comercial fora da Argentina. O pedido ocorre enquanto tribunais argentinos também investigam Tapia, Toviggino e outros executivos da AFA por suposto desvio de fundos.
Veículos argentinos, incluindo Infobae e Clarín, reportaram nesta quarta-feira que o FBI apreendeu celulares e dispositivos eletrônicos pertencentes a vários dirigentes da AFA antes de a delegação argentina deixar Nova York, após a derrota no domingo na Final da Copa do Mundo FIFA de 2026. As reportagens também afirmam que as autoridades dos EUA ordenaram que os dirigentes compareçam ao tribunal em 30 de julho.
No entanto, Gregorio Dalbón, advogado da AFA, forneceu à EFE uma declaração oficial da federação negando tais alegações. A declaração enfatizou que o pedido de informações do tribunal dos EUA não é direcionado a Tapia nem a qualquer outro executivo da AFA.
"É absolutamente falso afirmar que Claudio Tapia ou Pablo Toviggino foram convocados a depor perante as autoridades dos EUA, assim como é falso afirmar que seus celulares ou quaisquer outros dispositivos eletrônicos foram apreendidos", disse a AFA em seu comunicado.
A federação também instou os veículos de comunicação a verificarem documentos oficiais antes de publicarem reportagens.
"A Associação Argentina de Futebol insta as organizações de mídia e jornalistas a verificarem adequadamente o conteúdo de documentos legais antes de publicarem alegações que não são apoiadas por eles, lembrando a todos que a precisão jornalística é um dever essencial da reportagem responsável", acrescentou o comunicado, referindo-se às reportagens iniciais publicadas pelo Clarín e Infobae.
Pouco antes do início da Copa do Mundo, o Miami Herald informou que, após uma revisão de registros bancários e comerciais nos Estados Unidos, aproximadamente US$ 40 milhões em receitas da AFA teriam passado pela TourProdEnter LLC para empresas sem uma justificativa comercial aparente.
De acordo com o jornal, parte desses fundos teria sido usada por um casal do sul da Flórida ligado à TourProdEnter para comprar quatro propriedades residenciais de alto valor entre 2021 e 2025.
Possível lavagem de dinheiro ou fraude
De acordo com o Miami Herald, os investigadores estão examinando se essas transações podem constituir lavagem de dinheiro ou fraude bancária através do sistema financeiro dos EUA.
As autoridades também estão investigando se os fundos foram usados para outras despesas, incluindo aluguel de jatos particulares e iates de luxo, empresas de esportes motorizados e um negócio especializado em serviços de cavalos de raça pura.
Enquanto isso, a investigação na Argentina alega que a TourProdEnter LLC, uma empresa ligada ao produtor teatral Javier Faroni, atuou como agente comercial internacional exclusivo da AFA fora da Argentina, gerenciando acordos de patrocínio, eventos e a cobrança de contratos no exterior.
Para esses serviços, a empresa supostamente recebeu uma comissão de 30% sobre a receita gerada, mais 10% adicionais para operações logísticas.
Os promotores argentinos também buscam determinar se o dinheiro desses contratos pode estar ligado à compra de uma propriedade de 17 milhões de dólares em Pilar, cuja titularidade legal é de terceiros, mas suspeita-se que tenha sido adquirida por meio de intermediários em nome de Pablo Toviggino.