Como Morgan Rogers se tornou o atacante unicórnio para completar o ataque aterrorizante do Chelsea

Aston Villa contra Arsenal, agosto de 2024. Morgan Rogers recebe um passe de frente para o próprio gol e Declan Rice está imediatamente em cima dele, mas o meio-campista do Villa domina a bola com o lado de fora do pé direito e gira para o espaço, deixando Rice para trás. O espaço é rapidamente preenchido pelo volante do Arsenal, Thomas Partey, mas Rogers toca a bola por ele e corre pelas suas costas para recuperá-la, deixando o ganês estirado na grama. A disputa entre eles pelo menos dá a Rice algum tempo para alcançá-lo, mas quando ele se lança para fazer o desarme, Rogers dá um toque inteligente e Rice comete uma falta desajeitada.
O Arsenal acabaria por vencer, mas foi uma tarde cheia de momentos como aquele em que Rogers atormentou os seus adversários. Após o jogo, Mikel Arteta ficou maravilhado com a sua atuação. Na Sky Sports, Jamie Redknapp comparou Rogers a "Jonah Lomu no seu auge", e quando se viu o rasto de corpos do Arsenal deixados no chão, percebeu-se exatamente o que ele queria dizer.
A comparação com Lomu tocou no que torna Rogers raro, até único, no futebol mundial, e talvez ajude a explicar por que o Chelsea FC estava disposto a gastar 117 milhões de libras para contratá-lo neste verão. Rogers é uma mistura de gêneros do futebol, um oximoro ambulante, poderoso e gracioso, resistente e ágil, pesado e leve ao mesmo tempo, como uma fera contorcida com os ombros de um búfalo e os pés de um esquilo em uma missão.
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Morgan Rogers fez um início impressionante na vida no Chelsea (Getty)
Existem outros portadores de bola robustos no topo do jogo: Antoine Semenyo e Jude Bellingham vêm à mente; Ryan Gravenberch, Manu Kone e Rice todos desempenham funções semelhantes vindo de trás. Mas nenhum tem o pacote de Rogers de força e equilíbrio, pés rápidos e aceleração rápida, esse olhar criativo e movimento sutil entre as linhas. Em um mundo cada vez mais homogeneizado de treinamento e produção industrializada de talentos, Rogers é uma espécie de atacante unicórnio.
Um dos dilemas com Rogers e seu perfil completo é exatamente como melhor utilizá-lo. Ele é um ponta veloz ou um criador central? Ele prospera no espaço ou cria espaço por conta própria? O treinador que lhe deu a estreia na liga no Lincoln City, Michael Appleton, rapidamente reconheceu a apetência de Rogers pelo confronto físico e explorou essa característica.
“Ele na verdade gosta do contato,” Appleton disse à Sky Sports. “Ele gosta que as pessoas fiquem bem próximas dele e então ele pode usar sua estrutura física para girar por dentro ou por fora. Como eu sabia que Morgan gostava de contato, sabia que poderia escalá-lo por dentro como um 10. Uma coisa é ser ágil com uma estrutura leve e passar pelas pessoas, mas quando você tem 1,88m e consegue fazer isso…”
Rogers disse ao Guardian que gosta de estar no centro do campo rodeado por defesas. “A forma como jogo e onde quero jogar no campo, vai haver contacto e tráfego à minha volta, por isso conseguir sentir a pressão e afastar-me dela é algo de que me orgulho.”
O que fica claro nas primeiras semanas da temporada é o quanto o conjunto de habilidades de Rogers se encaixa no novo time de Xabi Alonso no Chelsea. Ele já tem quatro assistências e dois gols em quatro jogos e meio e lidera as estatísticas do Chelsea em passes decisivos e grandes chances criadas. Se João Pedro é o ponto focal de gols e Cole Palmer é o jogador dos momentos mágicos, então Rogers está rapidamente se tornando o coração criativo da equipe, o jogador por quem passa toda jogada inteligente, preparando a mesa para os companheiros comerem.

Rogers é amigo próximo de seu ex-companheiro de equipe no Manchester City, Cole Palmer (Reuters)

Morgan Rogers está a aproveitar a vida no Chelsea (John Walton/PA)
Ajuda o facto de ele ter química com o seu amigo próximo Palmer. Isso ficou demonstrado na vitória de quarta-feira por 6-3 sobre o Leeds, primeiro em campo e mais tarde num vídeo dos bastidores que mostrou Rogers a lamentar o prémio de homem do jogo de Palmer como "criminoso" depois de um jogo em que Rogers somou assistências. Era o tipo de piada que só se pode fazer com alguém que se conhece verdadeiramente.
A amizade deles remonta aos tempos da academia do Manchester City, e antes dos estágios internacionais com a seleção inglesa Sub-21, eles ligavam com antecedência para pedir que ficassem no mesmo quarto. Rogers viu o amigo florescer no Chelsea e estava determinado a deixar a sua própria marca na Premier League.
Mas é também a configuração tática de Alonso que se adequa tão bem a Rogers. Os adeptos do Arsenal gozaram com Rogers no fim de semana passado com cânticos de "Deverias ter assinado por um grande clube", uma resposta depois de Rogers ter declarado que tinha assinado pelo maior clube de Londres. Sem dúvida, Rogers teria prosperado também no Emirates, mas teria jogado mais perto da linha lateral: Christos Tzolis tem-se movido para dentro em alguns momentos esta época, mas a sua posição inicial é pela ala. Riccardo Calafiori faz corridas por dentro que preenchem o espaço central, Martin Odegaard e Rice avançam, Kai Havertz recua e pode ficar tudo congestionado ali.
Rogers é desafiado por Costinha, do Brighton, em Stamford Bridge (Getty)
É um papel diferente em Stamford Bridge. Como um dos dois camisas 10 do Chelsea, Rogers tem liberdade para encontrar espaços. Os alas de Alonso tendem a manter a largura, deixando Rogers com espaço para se mover livremente por dentro, onde ele pode ir e encontrar o contato que gosta. Ele apareceu em todos os lugares contra o Leeds, muitas vezes surgindo fantasma entre um zagueiro central e um lateral que não percebiam até que fosse tarde demais.
Hull City é a próxima equipa a enfrentar o trio ofensivo do Chelsea, em Stamford Bridge no sábado, e à primeira vista deverão constituir um teste difícil, sendo a única equipa no futebol inglês que ainda não sofreu golos na liga. No entanto, os números subjacentes sugerem uma história ligeiramente diferente, com o Hull classificado em 18.º na Premier League em termos de jogos sem sofrer golos esperados, tendo permitido oportunidades no valor total de cinco golos esperados. O guarda-redes Konstantinos Tzolakis tem sido imenso.
当本周被问及他们计划如何阻止切尔西时,赫尔城主教练谢尔盖·亚基罗维奇笑了笑。“踢他们,”他回答。他的球队可能难以抵挡即将到来的攻势。切尔西的进攻中拥有一切元素。而那还只是罗杰斯一人。