Mourinho sem filtros: Vinícius Jr., Endrick, o novato Espí e um elenco definido
4.834 dias depois, José Mourinho está de volta ao comando do Real Madrid num jogo oficial no Santiago Bernabéu. Treze anos e quase três meses separam a vitória por 4-2 sobre o Osasuna (1 de junho de 2013) da visita marcada da Real Sociedad (26 de agosto de 2026).
Mourinho insiste que está 'mais calmo' e que 'já não é o mesmo homem', mas quem o ouvisse ficaria com dúvidas razoáveis. Aos 63 anos, o Special One continua desafiador, por vezes ameaçador, e ainda conduz a conversa para os temas que mais lhe importam.
Foi o que aconteceu na manhã de terça-feira em Madrid. O treinador português não fugiu de nenhum dos temas mais quentes em torno dos Merengues e começou por falar sobre a arbitragem. Primeiro vieram as críticas, depois o voto de confiança.
MOURINHO NAS PRÓPRIAS PALAVRAS:
"É o primeiro jogo em casa, mas apenas um de 19. Cada ponto importa", disse o carismático treinador sobre seu primeiro jogo em casa desde seu retorno ao Real Madrid.
O objetivo é vencer, respeitando uma equipa que merece respeito. Têm identidade e grandes jogadores. Na nossa visita ao Espanyol sentimos o apoio dos seus adeptos, e o que queremos agora é o mesmo a nosso favor. Quero uma equipa com fome, atitude, resiliência, força e calma.
Mourinho passou a falar sobre a arbitragem: "É óbvio que o Vinícius Júnior é tratado de forma diferente em comparação com os outros. Entramos numa espiral: os adversários sentem que podem [fazer falta no Vinícius] e fazem. Isto é como lidar com crianças pequenas: elas só vão onde nós permitimos que vão. Não gosto disso. Ele foi pontapeado contra o Espanyol, e isso era expulsão. Tirando isso e um ou dois detalhes, gostei da arbitragem. Entendo que o árbitro não viu essa falta, mas o VAR não fez o seu trabalho corretamente. Mas confio na arbitragem espanhola."
Vinícius Jr é sempre um tema quente no futebol mundial e Mourinho continuou falando sobre a estrela brasileira: "Temos que trabalhar na relação dele com os estádios adversários. Ele pode melhorar nesse aspecto. Ele ouve comentários homofóbicos e racistas, então ele tem que se controlar. Eu, mais calmo, isso não é novidade. Eu controlo melhor minhas emoções. Momentos difíceis virão, mas sinto que as pessoas no Real Madrid estão me protegendo do meu lado mais sombrio [risos]."
Mourinho acrescentou que estava 'feliz' com o seu plantel e que não tinha pedidos para contratar novos jogadores.
O treinador também foi questionado sobre a adaptação entre Jude Bellingham, Kylian Mbappé e Vinícius: "A parte mais difícil não é ter jogadores de topo ou lidar com uma lesão grave de um deles. Não quero revelar demasiado aos nossos adversários. Quero sempre que os três estejam de bom humor, e estarei aqui para os ajudar."
O próximo tema foi outro jogador-chave, Fede Valverde: "Por necessidade, alguns treinadores o treinaram como lateral-direito. Para mim, Fede é um meio-campista. Vai depender dos objetivos e do adversário. Ele pode ser mais posicional ou não. As equipes precisam de soluções; um lateral hoje pode ser um ponta ou jogar por dentro, como Trent Alexander-Arnold."
Depois houve discussão sobre jovens jogadores, incluindo Endrick: "Ele tem um problema muscular que afeta o tendão. É um jogador de que gosto muito. Ele recebeu interesse de muitos outros clubes, mas quero mantê-lo, por isso não foi emprestado nem vendido. Não sei se ele será convocado pelo Brasil pelo Ancelotti, mas o Carlo é meu amigo e ele falará diretamente comigo."
E, finalmente, o assunto passou para o novo reforço, o jovem atacante Carlos Espí: "Ele pode jogar com Mbappé. Na pré-temporada, eu coloquei Endrick com Mbappé. Espí é um tipo diferente de jogador. No último jogo, o Espanyol se fechou atrás e o Mbappé recuou tentando criar algo individualmente. Eu senti que o Espí poderia ser importante."