Vinicius supera os grandes confrontos do Bernabéu com as suas estrelas
O Bernabéu não teve piedade de Vinicius: o brasileiro foi o principal alvo da torcida do Real Madrid no primeiro jogo em casa após a demissão de Xabi Alonso, com a ira geral atingindo o auge contra o camisa 7
Vinicius não é a primeira grande estrela do Real Madrid a viver uma tarde turbulenta no seu estádio, nem será a última. Mas não há lembrança de uma reação tão virulenta da torcida madridista contra um de seus jogadores, tanto pela intensidade quanto pela duração. Do primeiro ao último toque na bola, ele foi vaiado. Um episódio que entra para a história do Real Madrid.
Di Stéfano e o anúncio de meias
Nenhuma estrela brilhou mais no céu de Madrid do que Alfredo Di Stéfano. A 'Saeta' também viveu uma tarde amarga em Chamartín: um anúncio de meias femininas gerou controvérsia e irritou o Bernabéu no Natal de 1962. Di Stéfano apareceu com a camisa do Real Madrid da cintura para cima e pernas femininas da cintura para baixo. "Se eu fosse minha mulher, usaria meias Berkshire", dizia no comercial. O que hoje passaria despercebido como mais uma peça publicitária viral de um astro do futebol foi, na época, um escândalo que Don Santiago Bernabéu não conseguiu evitar. No primeiro jogo após o anúncio, o Bernabéu o vaiou a cada toque na bola, mas, ao marcar dois gols contra o Athletic, a torcida encerrou as críticas.
Cristiano contra o Celta
O que Di Stéfano representa para a história do Real Madrid, Cristiano Ronaldo também representa. Em número de gols, até o supera. O português viveu vários episódios de assobios e reprovações da torcida. Suas declarações de que não se sentia amado irritaram o Bernabéu em mais de uma ocasião. Em 5 de março de 2016, o Celta visitou Chamartín. Um erro em um passe do português enfureceu o público, que o puniu com vaias. A resposta veio com quatro gols entre os minutos 50 e 76. Após marcar o primeiro, levou a mão ao ouvido. O que começou com vaias terminou em ovação.
Michel e Gorbachev
No fim da temporada 1988-89, com a liga já conquistada, Michel foi vaiado contra o Cádiz e reagiu com irritação. Ele e Martín Vázquez foram apontados como responsáveis pela derrota por 5 a 0 para o Milan no jogo de volta da semifinal da Copa dos Campeões da Europa. Tão irritado estava que, na partida seguinte em casa, contra o Espanyol, as vaias voltaram e ele deixou o campo antes do intervalo. "Não entendo por que as pessoas não vêm para desfrutar do futebol. Era um dia de celebração e nem isso perdoaram. É como se o seu pai o repreendesse todos os dias e também no dia do seu casamento." Ele disse que queria sair, mas resistiu e, entre altos e baixos, acabou se reconciliando com a torcida. "Vaiar Michel no Bernabéu é como vaiar Gorbachev no Politburo", disse Silvio Berlusconi, presidente do Milan.
Ele viveu outro episódio marcante em março de 1991, quando o Spartak eliminou o Madrid da Copa dos Campeões Europeus após um empate por 0 a 0 em Moscou e uma derrota por 3 a 1 no Bernabéu. A ira se concentrou nele. Sua resposta foi deixar a ponta, atuar como meio-campista e seguir pedindo a bola.
Zidane não foi titular
"Eu também fui vaiado", relembrou Zidane como treinador, ao recordar a ira do Bernabéu contra seus jogadores. Sua chegada ao Real Madrid no verão de 2001 foi marcada por alguns meses de início difícil. Os murmúrios das primeiras semanas deram lugar a vaias em algumas partidas e a debates sobre o que havia de errado com ele e se o time jogava melhor sem sua presença em campo.
Bale, presença habitual
"Não há recordação de um episódio semelhante com um jogador do Real Madrid; neste caso, Gareth Bale, que foi vaiado nas primeiras vezes em que tocou na bola", escreveu o MARCA em artigos sobre a partida contra a Real Sociedad, em 23 de novembro de 2019. O galês passou por vários episódios de tratamento hostil da torcida, mas nenhum tão intenso quanto o sofrido por Vinicius contra o Levante.
Buffon e as vaias a Casillas
Casillas encerrou sua passagem pelo Real Madrid de forma amarga, com uma saída estranha. Poucas semanas antes, Buffon havia falado sobre algo que já tinha se tornado comum: Casillas ser vaiado no próprio estádio. "As vaias contra Iker me parecem inadmissíveis e ingratas por tudo o que ele deu a este clube e por estar aqui há 20 anos. Não estou em posição de lhe dar conselhos, porque são situações pessoais. O que posso dizer é que, além dos bons ou maus momentos que cada um de nós atravessa, certos futebolistas não merecem esse tipo de tratamento", afirmou o italiano.
Na relação entre Casillas e o Bernabéu, há um antes e um depois de seu confronto com Mourinho.
O dia em que Ramos foi expulso
Outra lenda do Real Madrid que viveu sua própria ‘sinfonia’ no Bernabéu foi Sergio Ramos. Isso aconteceu em 3 de novembro de 2018, no dia da estreia de Solari em LaLiga após a demissão de Lopetegui. A torcida madridista não gostou do fato de que, ao ser perguntado sobre Conte, o capitão se mostrou radicalmente contra a chegada do técnico italiano. As primeiras vaias no início da partida depois se espalharam. “Os que estamos aqui há mais tempo temos de assumir esse papel. Sou o capitão e tenho de dar um passo à frente. Tenho orgulho de carregar uma mochila cheia de pedras”, disse após o jogo.
Di María e a acomodação
"Não sei para quem eram os assobios. Entrei em campo como sempre e senti que uma parte me aplaudiu e a outra me vaiou. Eles sempre me apoiaram. Não fiz gesto algum contra a torcida nem contra o treinador; tenho uma boa relação com o público", explicou Di María. O fato é que, ao ser substituído contra o Celta (6-1-2014), ele levou as mãos às partes íntimas em resposta às vaias que recebeu. "Eu estava ajeitando o short", disse depois. Seu retorno ao gramado de Chamartín aconteceu semanas mais tarde, contra o Granada, e não houve punição.
O primeiro de Butragueño
Emilio Butragueño irrompeu no Real Madrid com enorme impacto no inverno de 1984, naquela noite histórica em Cádis. Nascia um ídolo, que logo aprendeu que o Bernabéu não se casa com ninguém. Em 7 de dezembro de 1985, numa vitória convincente sobre o Celta (4-0), o favorito da torcida foi vaiado pela primeira vez. Haveria outros episódios, mas aquele foi especialmente marcante. Ele não viveu a sua melhor atuação e, após deixar o campo com uma hora de jogo, a partida passou de 1-0 para goleada.
Juanito, vaias durante uma comemoração
Ídolo e símbolo do Madrid, Juanito também foi punido em mais de uma ocasião pela exigente torcida do Bernabéu. Um dos episódios mais incomuns aconteceu na tarde de 16 de abril de 1978. Era sua primeira temporada no Madrid e, naquele dia, após vencer o Cádiz por 2 a 0 e com a derrota do Barcelona em Gijón, os merengues celebraram o título. O que deveria ter sido uma festa acabou em aplausos pela fraca atuação da equipe e vaias para Juanito, especialmente azarado naquela tarde.
A trajetória de Benzema
Karim Benzema deixou o Madrid pela porta da frente. Mas o francês sabe bem como o Bernabéu reage quando não cria ligação com um jogador. Com ele, que chegou em 2009, essa conexão só se consolidou em 2018, após a saída de Cristiano Ronaldo. Antes disso, acumulou episódios de irritação e reprovação. Em fevereiro de 2018, contra a Real Sociedad, o português dirigiu-se às arquibancadas para pedir que as vaias a Karim se transformassem em apoio ao camisa 9.